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Musicoterapia Para Professores

Música e Inclusão: uma abordagem da Musicoterapia no contexto escolar

       A primeira forma de expressão do ser humano é através do som que, certamente,  o acampanhará em todas as fases de sua vida. A música desperta no indivíduo lembranças remotas ou atuais, conscientes ou inconscientes. Dessa maneira, ninguém gosta de uma música por acaso ou só porque é um sucesso de época. Há, na verdade, uma identificação pessoal com a música, despertada pelos conteúdos de sua letra e/ou por seus elementos musicais – som, ritmo, melodia, harmonia, temporalidade, gestualidade etc.

       No contexto escolar, em  que se busca concretizar o processo de inclusão, encontramos duas figuras que se inter-relacionam e muitas vezes não conseguem realizar trocas favoráveis: o aluno com necessidades especiais e o professor. Às vezes, esse aluno não consegue realizar as ações solicitadas, gerando angústias que podem se manifestar em agitação psicomotora e agressividade ou mesmo em baixa estima evidenciada pela apatia, falta de interesse e isolamento. Essas dificuldades, aliadas  à falta de informações acerca das especificidades de cada aluno especial, fazem com que o professor sinta-se “perdido” e, muitas vezes, angustiado por não conhecer outros procedimentos para ajudar o seu aluno. Ambos, aluno e professor, necessitam vivenciar possibilidades de interação positivas e criativas para que possam ressignificar suas ações e comportamentos.

       A música, numa abordagem mais ampla priorizada pela Musicoterapia – interlocução entre Arte e Saúde –, proporciona trabalhar aspectos auto-expressivos, perceptivos, cognitivos e interacionais. Ao se trabalhar num contexto em que é priorizada a comunicação não-verbal, o indivíduo, independente de apresentar ou não necessidades especiais, não se sentirá excluído do grupo, uma vez que esse espaço musicoterápico proporciona-lhe a aceitação de sua auto-expressão, qualquer que seja ela. Ponto fundamental a ser considerado no trabalho musicoterápico são as mobilizações internas que a música provoca.

       A Musicoterapia, no processo de inclusão de alunos com necessidades especiais, possibilita um trabalho profundo das causas e efeitos, sob os mais diversos ângulos. Oportuniza-se, através da reabilitação, da terapêutica ou mesmo da psicoprofilaxia, o desenvolvimento de habilidades motoras, psico-emocionais e sócio-interacionais. Sendo um espaço de trocas de experiências musicais entre cliente e terapeuta, abrir canais de comunicação é um dos principais objetivos da Musicoterapia. Isto proporciona mudanças gradativas no comportamento do aluno, passando das reações negativas de interação para as positivas. Através dos elementos expressivos apresentados pelo próprio aluno com necessidades especiais, pode-se adequar o uso dos instrumentos musicais e da música às suas distintas necessidades e potencialidades. A Musicoterapia, desenvolvida com alunos especiais, oferece condições de uma intervenção efetiva nos distúrbios psico-motores e de comunicação, auxiliando na resolução de problemas individuais que os impediriam de participar e beneficiar-se, de forma mais ampla, do processo de aprendizagem. Também pode ser vista como importante ferramenta de estruturação do espaço que visa o acolhimento efetivo do indivíduo com necessidades especiais – acessibilidade.

       Há que se considerar que a figura do professor é fundamental nesse processo de  inclusão de indivíduos com necessidades especiais dentro das escolas regulares.  Trabalhar suas próprias angústias e frustrações e, ainda, instrumentalizá-lo no sentido de desenvolver novas ações que visem o estabelecimento de um vínculo mais positivo entre professor e aluno, são objetivos que podem ser alcançados através da Musicoterapia, ou seja, da música com terapia. 

Cronograma

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